Vanilda de Souza Fujisse Capinam recomeça tantas vezes quanto a vida exige, e aprende, em cada recomeço, uma camada nova do próprio ofício. Contadora por formação, empresária por duas décadas e meia, ela hoje exerce a advocacia tributária com a naturalidade de quem chegou lá pela porta da dor: foi cliente antes de ser conselheira, sofreu a tributação antes de dominá-la. Aos 46 anos, pós-graduada em Direito Tributário pela UFPE, ela prepara o escritório próprio depois de uma trajetória que passou pela telefonia móvel na Bahia, onde sua operação chegou a ter cento e cinquenta funcionários e faturamento de meio milhão mensal, pelo varejo de cosméticos que a trouxe a Pernambuco com quatro unidades em funcionamento hoje, entre Caruaru, Shopping Boa Vista, Shopping Riomar e Shopping Recife, e por três quebras de contrato capazes de encerrar qualquer carreira. Não encerraram a dela: refizeram-na. "Eu construí tudo com sangue no olho", resume, sobre uma escola que não teve sala de aula, apenas a prática, o gargalo identificado e resolvido, a virada de chave repetida até virar método.

Ao lado do marido, Geraldo Capinam, parceiro de vinte e oito anos e de todos os recomeços, e pensando na filha Giovanna, para quem deseja ser referência, ela hoje atende clientes do Simples Nacional e franquias diante da reforma tributária, traduzindo a complexidade da lei em linguagem que o pequeno empresário entende, porque já foi, ela mesma, esse empresário. Em Pernambuco colhe o reconhecimento de quem chegou de fora e ficou: o título de Mulher Nota 10, o reconhecimento da Rede Mulher Empreendedora, do Grupo Mulheres do Brasil. Cada um desses marcos confirma que adaptação não é palavra de ocasião, mas o nome técnico daquilo que ela pratica desde Osasco, passando pela Bahia, até o Recife, onde hoje ensina aos clientes a mesma lição que aprendeu na própria pele.

Hoje, Vanilda Fujisse advoga com a bagagem de quem já perdeu tudo mais de uma vez e descobriu, em cada perda, a medida exata da própria capacidade de recomeçar.