Ulyscélio Ferreira decodifica a dor da coluna como quem desvenda um enigma antigo: com paciência, precisão técnica e a convicção de que nenhuma solução duradoura nasce da pressa. Aos 33 anos, o neurocirurgião formado pela Universidade Federal de Pernambuco especializou-se em cirurgia minimamente invasiva, com ênfase na cirurgia endoscópica da coluna, aprimorando sua formação na BG Klinik, em Frankfurt, e na Schön Klinik, em Munique, centros de referência mundial na área.
À frente da Vivantis — Centro de Cuidado da Coluna, atende pacientes de Pernambuco, de diversos estados brasileiros e também do Canadá, onde mantém uma empresa de concierge médico. Nove pacientes canadenses já atravessaram o Atlântico para serem operados no Recife e retornaram recuperados, um movimento que inverte a lógica tradicional do turismo médico e demonstra que Pernambuco também exporta excelência.
Sua história começou muito antes da medicina. O pai convivia com uma doença neurológica, e foi a experiência de acompanhar esse sofrimento que despertou, ainda na infância, sua curiosidade pelo sistema nervoso e, mais tarde, pela cirurgia da coluna. Órfão aos 12 anos, encontrou na mãe seu maior exemplo de perseverança: ainda menina, ela deixou sozinha um sítio no interior de Pernambuco em busca de estudo, tornou-se professora, ensinando ao filho que disciplina, resiliência e conhecimento são patrimônios mais valiosos do que qualquer herança material.
A residência no Hospital da Restauração, sob a influência do professor Hildo Azevedo, e a convivência diária com Geraldo de Sá Carneiro — cirurgião que permanece como parceiro profissional — consolidaram sua formação técnica. Mas foi o incômodo com um modelo de assistência cada vez mais acelerado que redefiniu sua forma de exercer a medicina. Inconformado com a lógica dos planos de saúde, que privilegia volume em detrimento do vínculo, construiu um modelo em que o tempo voltou a ser parte do tratamento.
Na Vivantis, cada primeira consulta dura cerca de uma hora e meia. A cirurgia, quando necessária, representa apenas uma etapa de uma jornada que se estende por, no mínimo, três meses de acompanhamento estruturado. Fisioterapeutas, especialistas em pilates, personal trainer, endocrinologista e nutricionista integram uma equipe multidisciplinar que compartilha um único propósito: restaurar não apenas a anatomia da coluna, mas a funcionalidade, a autonomia e a qualidade de vida do paciente.
"Eu não acredito que um procedimento cirúrgico, sozinho, seja capaz de resolver da noite para o dia um problema que levou anos para se desenvolver", resume.
Inspirado na medicina que conheceu na Alemanha — e ainda pouco difundida no Brasil —, seu projeto vai além do consultório. A ambição é construir um modelo assistencial replicável, capaz de reunir profissionais comprometidos com o mesmo padrão de excelência e de atenção individualizada.
Mais do que operar colunas, Ulyscélio Ferreira dedica-se a devolver movimento, independência e perspectiva a pessoas que chegaram ao consultório limitadas pela dor. Em um tempo em que a velocidade costuma ser confundida com eficiência, sua trajetória reafirma uma ideia simples, mas cada vez mais rara: cuidar bem exige ciência, presença e tempo.

