Tereza Maria Barbosa Nogueira assume, todos os dias, o posto de quem devolve o que a vida um dia lhe tirou. Delegada titular da Delegacia da Mulher, ela transformou o pavor de uma infância interrompida em Petrolina, onde sonhava cantar e ainda não sabia que precisaria resistir, no ofício de resgatar quem chega ao seu gabinete estilhaçada pelo medo. A fuga noturna que a mãe, Helena Barbosa Nogueira, empreendeu num caminhão rumo a Recife, com os filhos e uma irmã de audição comprometida, não apagou a menina: temperou a mulher. Aos catorze anos, Tereza já pagava aluguel; hoje, paga tributo à memória daquela travessia toda vez que ampara uma vítima e a devolve inteira ao mundo.
O irmão que abriu mão dos próprios estudos para que ela carregasse os livros segue vivo em cada diploma, em cada sentença justa, em cada mulher salva. Sem recursos para custear a faculdade de Direito, encontrou amparo na bolsa de um padre alemão. Formou-se, prestou concurso, vestiu o distintivo e descobriu que a autoridade mais legítima nasce de quem já esteve do outro lado do medo. “Estou presente para quem precisa de mim!”, resume a delegada.
Autora do best-seller “Barca Furada” e apresentadora do podcast “Chama a Delegada”, ela converteu a própria voz, que a violência doméstica um dia quis calar, em instrumento de alerta para milhares de mulheres. O projeto “Três Poderes”, ao lado de Márcia Alves e Meiry Elias, expande essa missão para além das fronteiras de Pernambuco, e agora ela mira um palco maior: candidata a deputada estadual, decidiu levar para dentro do parlamento a mesma urgência que a move na delegacia, entendendo que proteger uma mulher também é escrever a lei que a protege.
Mãe de Té e Gigi, Tereza carrega o sobrenome Nogueira como quem carrega uma árvore: raízes fincadas na aspereza do sertão, copa generosa o bastante para dar sombra a quem ainda não encontrou a própria força. O sertão lhe ensinou a resistir; a farda, a proteger; a política, talvez, ensine a multiplicar. Sobrevivente de ontem, guardiã de hoje, Tereza Nogueira prova que a dor, quando enfrentada de frente, deixa de ser sentença e se torna, enfim, vocação.

