Socorro Maia Gomes carrega a marca de quem não aguardou a estabilidade para começar. Criada em Caruaru no seio de uma família de cinco filhos, ela escolheu, aos dezesseis anos, um passo que quase ninguém de sua geração teria a clareza de dar: trocou o conforto do lar paterno pela casa dos avós, Moisés Cajá e Maria Maia Cajá, no Recife, e a cidade que ela conquistou foi, ao mesmo tempo, a cidade que a formou. A intenção, desde o princípio, era de método.

A perda abrupta do pai, Arnaud Maia dos Santos, quando ela contava dezenove anos, converteu o luto em combustível. Raimunda Ferreira Maia ficou viúva; as responsabilidades da primogênita cresceram na mesma proporção em que o mundo ao redor se estreitava. Socorro não parou. Foi para a UNICAP, entrou no mercado de trabalho ainda estudante, acumulou reconhecimentos em multinacionais de tecnologia e marketing, viajou grávida de sete meses para atender clientes em Campina Grande, e chegou ao Vicente Gouveia Advogados em 2001 como estagiária, sem nenhuma garantia de que ficaria.

Ficou. A fusão com o Martorelli Advogados, em 2004, abriu um segundo capítulo. A ascensão de estagiária a sócia patrimonial não seguiu o ritmo dos calendários: seguiu o ritmo da entrega, da confiança construída cliente a cliente, da insistência silenciosa de quem aprendeu que a advocacia de alto nível não cabe nos autos. Ela retira o Direito das prateleiras e o instala no centro nervoso das decisões empresariais, usando dados e padrões onde outros ainda esperam pelo veredito. Onde havia risco, ela instala autonomia. Onde havia litígio iminente, ela planta o dado que o dissolve.

Hoje, à frente de uma equipe de quase duzentas pessoas no Martorelli, ao lado de George Adelino Cavalcante Gomes, seu parceiro de quase quatro décadas, e com o filho George Arnaud, Socorro Maia Gomes reconhece que seu maior voo não é o dela: é o voo de quem ela mentoria. Ao decidir, cedo, que vencer significa servir, ela compreendeu que o sucesso só cabe no coração de quem reserva espaço para o próximo.