Uma festa de cem convidados em Piedade não avisa a ninguém que, vinte e cinco anos depois, vai se transformar em uma empresa contratada para operar bares de festivais que ela mesma não organizou. Foi assim que começou a trajetória de Romero Bivar: sem plano de negócios, sem sócio investidor, só um adolescente que ajudava primos e amigos a alugar som, contratar iluminação, imprimir convite e, na hora do evento, ainda subir no palco para tocar. "Fazia de tudo e fazia tudo para acontecer de verdade", resume o empresário sobre aquela fase multiuso, quando ele próprio era produtor, DJ e operador de bar de suas festas.
O que era diversão de fim de semana em Piedade e Boa Viagem cresceu depressa. As casas de cem pessoas viraram surpresas de quinhentas, depois potenciais de mil, até que a estrutura amadora não sustentava mais a demanda. Em 2008, o hobby ganhou registro em cartório e nasceu a ACT Group, nome que carrega, propositalmente, o verbo agir. Dentro de poucos anos, os eventos da produtora já reuniam cinco mil pessoas, e o sócio-diretor passou a tratar como ofício sério aquilo que a família via como brincadeira de menino. Formado em Administração, com passagens por cursos de marketing e mercado de capitais e oito anos dedicados ao correspondente bancário da Febraban, ele carregava outra formação, essa nunca cursada: a de um pai, Milton Caldas Bivar, hoje em memória, lembrado como uma figura que sabia lidar com todo mundo, sem distinção de classe.
A consolidação veio em marcas. O Club Nox, boate que Romero tocava ao lado do irmão Leonardo e do primo Sérgio entre 2006 e 2011, deu lugar à Nox Experience, herdeira direta daquela memória. A Unite nasceu em 2015 e já soma mais de dez anos de edições que Recife reconhece de cor. A Ecotribe, marca mais alternativa, passou de vinte edições e voltou este ano para uma área verde do Centro de Convenções, driblando o asfalto. Houve também turnês da Warung, extinta boate catarinense que já foi eleita a melhor do mundo, e edições do E-nation dentro do Classic Hall. Comum a todas: a curadoria artística que trouxe Alok ao Recife antes da fama, entre outros nomes que a cena eletrônica ainda não conhecia e que, meses depois, lotariam qualquer palco do país.
"A gente sempre foi meio que vanguardista", diz o produtor, ao explicar o que chama de diferencial da casa: não inventar um formato novo, mas antecipar quem vai bombar antes de todo mundo perceber. Essa antecipação virou negócio à parte quando a ACT Group decidiu profissionalizar a própria operação de bar. Nascia o ACT Bar, braço tocado por André Macedo, sócio e braço direito de longa data. A referência em atendimento e organização, construída nos eventos da própria empresa, passou a ser contratada, com exclusividade, por outras produtoras da cidade.
Entre erguer marcas e formar sócios, Romero também aprendeu a sobreviver. A pandemia interrompeu os eventos de uma hora para outra: vieram as lives, o protocolo sanitário, as barracas de teste rápido montadas na entrada para liberar quem estava apto a entrar. Ele fala pouco desse período, mas insiste num ponto: "foi resiliência mesmo, foi passar por vários momentos diferentes e conseguir sobreviver". Foi essa mesma teimosia, aliás, que sustentou a produtora nos vinte e cinco anos entre o hobby de adolescente e o reconhecimento recente da música eletrônica como patrimônio cultural e material de Pernambuco.
Olhando para os próximos cinco anos, o sócio-diretor recusa a lógica do crescimento pelo crescimento. Prefere falar em consolidação: menos eventos, mais qualidade, um público fiel que não abandona a cena mesmo quando a moda muda de lado. É a régua que ele aplica desde que decidiu, ainda garoto, que arrumar um local, cuidar da bilheteria e organizar a operação de bar não eram tarefas menores, mas o alicerce de tudo o que viria depois. O ACT Group, hoje grupo com produtora e operadora de bar sob o mesmo teto, é a prova de que o fundador estava certo.

