Rodrigo Romeiro Asfora escolheu, em dois momentos decisivos, a rota que exigia mais e prometia menos: a saída da segurança corporativa para fundar a Asfora Filmes em 2011 e, dez anos depois, a reconstrução de si mesmo após sobreviver a um AVC.
Os sete anos como âncora e editor-chefe na TV Tribuna moldaram nele a precisão técnica que faz de um comunicador alguém a quem se acredita. Em 2014, ao assumir a liderança de um projeto matinal na TV Jornal, participou de cada etapa de criação, erguendo a audiência num horário historicamente árido e provando que o engajamento do público começa muito antes do microfone ser ligado. Paralelo às bancadas, a Asfora Filmes foi ganhando corpo: produções para Globosat e Band dividiam espaço com vídeos institucionais para o Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer (GAC-PE), trabalhos que ampliaram diretamente a captação de recursos para o tratamento de crianças em situação de vulnerabilidade. A comunicação, para ele, nunca foi apenas ofício. Foi, desde o princípio, causa e compromisso.
O AVC de 2021 impôs uma pausa radical. Rodrigo teve de reaprender a andar, a falar, a sustentar a própria presença. O receio de perder a firmeza diante das câmeras cedeu lugar a algo que câmeras raramente conseguem captar: a potência de quem atravessou a fragilidade com os pés no chão. "Ela me inspira todos os dias", disse sobre Tais Cintra, sua esposa e parceira de trabalho há 15 anos. Uma frase curta, carregada. Dita assim, com a clareza de quem sabe o valor exato do que tem.
Ao comunicar causas, ao liderar audiências, ao reaprender o próprio ofício depois de um silêncio forçado: cada um desses movimentos revelou o mesmo comunicador, capaz de transformar fragilidade em frequência. Quem perdeu a voz uma vez e a recuperou sabe, como poucos, o peso preciso de cada palavra.

