Roberto Asfora governa Brejo da Madre de Deus pelo quinto mandato com a mesma bússola que o movia antes de qualquer eleição: o desconforto visceral diante da necessidade do próximo. A política chegou até ele pela porta da tragédia, não pela da ambição.

A rotina dupla que sustentou por uma década revelava o homem antes do gestor. Empresário na capital durante a semana, agente social no interior aos fins de semana, ao lado do irmão Cláudio Asfora. Em tempos difíceis, chegaram a distribuir quase 3.000 refeições diárias em cinco localidades de Brejo. Era a compaixão em ato, direta, sem protocolo. "Desde criança que eu tenho muita compaixão pela dor do meu semelhante", ele conta, descrevendo uma sensibilidade absorvida dos pais Teófilo e Teresa Asfora e dos avós Abraham, Lussaper, Sales e Eliza.

A entrada na vida pública não nasceu de ambição. Nasceu de um crime. O assassinato de Cícero em Fazenda Nova, por razões políticas, provou que o sistema anacrônico que ele observava de longe não era apenas ineficiente: era letal. A luta, código moral de família aprendido de avôs que trabalharam quase até os noventa anos, exigia uma resposta que o trabalho social, por si só, já não dava. "Aí eu fui para o ringue e me elegi em 2000". A perda de 1996, contra José Inácio, havia ensinado o custo da arena pública. A morte de Cícero ensinou o custo de ficar fora dela.

Trinta anos de gestão se medem em vidas. Um Centro Odontológico com tratamentos e aparelhos gratuitos há mais de uma década. Um serviço especializado que atende 384 autistas. O cardápio escolar qualificado. Políticas que chegam, nas suas palavras, "direto para o papai, direto para a mamãe": sem intermediários, na veia.

Ao lado de Mônica, filhos e netos, o prefeito encontra o "chão firme" onde repõe energia para a luta diária. O legado que espera deixar não são as obras, mas o exemplo: "Um homem que lutou, que trabalhou, e que lutou, lutou, lutou". Roberto Asfora sabe que o verdadeiro sucesso de quem governa não mora nos arquivos da prefeitura, mas na gratidão espontânea de quem um dia foi atendido e não esqueceu.