Ricardo Paes Barreto soma mais de três décadas de magistratura a um mapa que atravessa o litoral e o sertão de Pernambuco, do primeiro concurso de juiz substituto, em 1989, à presidência do Tribunal de Justiça, exercida no biênio 2024/2026. Estudou Economia antes de ingressar na Faculdade de Direito do Recife, onde também se tornaria mestre e doutor, aprendeu cedo a enxergar o número e a letra, o custo e o benefício, como as duas faces de um mesmo raciocínio.
Naquele primeiro concurso, passou por Sirinhaém, Cupira, Panelas, Lagoa dos Gatos e Catende: levou a lei ao interior, e trouxe o interior para dentro da lei. Voltou ao Recife para atuar por mais de doze anos na 3ª Vara Cível, acumulando pelo caminho mais de quarenta títulos de cidadania, de Panelas a Niterói, o recibo de quem não apenas julgou, mas se instalou em cada comarca por onde passou. Na Escola Superior da Magistratura, converteu a gestão em vocação paralela, ensinando não só Direito Processual Civil, mas administração judiciária, convicto de que a demora é uma forma de injustiça.
Presidiu o Tribunal Regional Eleitoral, comandou a Corregedoria-Geral e, em 2024, ocupou de forma breve, mas simbólica, o cargo de Prefeito em Exercício do Recife, a toga vestindo, por um instante, a responsabilidade executiva da cidade. No biênio à frente do Tribunal de Justiça, intensificou programas como o Moradia Legal, o Novos Caminhos e o Registre-se, convertendo a incerteza da posse em segurança, o egresso do sistema prisional em profissão, o indivíduo sem nome em cidadão de direito. Sob sua gestão, o tribunal conquistou o bicampeonato em transparência pública e o primeiro lugar nacional em registro civil, prova de que a luz do escrutínio não o intimida.
“Peço a iluminação de Deus todos os dias para que a justiça humana seja um reflexo da retidão divina”, confessa o desembargador, que também escreveu, em plena pandemia, três livros dedicados ao sorriso. Agora projeta o retorno ao gabinete armado de inteligência artificial, disposto a devolver ao cidadão o tempo que a lentidão lhe tomou. Na travessia entre comarcas e cargos, Ricardo Paes Barreto aprendeu que a firmeza da toga só se sustenta quando carrega, por dentro, a leveza do diálogo.

