Raphael Arlen Cordeiro dos Santos carrega no crachá de Oficial de Justiça Federal não somente o peso de cada mandado cumprido, mas também carrega no peito algo que nenhum cargo oficializa: a convicção de que a justiça precisa ser cumprida, ensinada, vivida e transmitida. Recifense, filho de Laexis, empresário do ramo de ótica, e de Fátima, dona do lar, que apostaram na educação antes de qualquer outra herança, construiu a trajetória sobre uma premissa aprendida em casa: "Se você quiser ser alguém na vida, você tem que estudar e trabalhar."

Nada de berço de ouro. Muito de suor, código e sertão. Formado em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira e aprovado na OAB em 2008, passou onze anos no Banco do Brasil antes de decidir que sua vocação estava no cumprimento da sentença. Inscreveu-se em três concursos para Oficial de Justiça, passou nos três: Tribunal de Justiça, TRF 5ª Região e TRT 6ª Região. Escolheu o trabalhista pela afinidade com a causa social. A primeira lotação foi em Salgueiro, no sertão, de Recife para lá toda semana. Depois, a jurisdição de Barreiros, responsável pelos municípios de Sirinhaém, Rio Formoso, Tamandaré, Barreiros e São José da Coroa Grande: um território de citações, penhoras e avaliações que exige precisão, presença, cordialidade e disposição de sair cedo sem garantia de quando se volta.

O mestrado em Direito na Universidade Católica de Pernambuco, com dissertação sobre efetividade no cumprimento da sentença trabalhista, foi o elo entre a prática diária e o sonho de lecionar. Em 2024, a UniFBV Wyden abriu a porta. O oficial entrou e não saiu mais. Hoje ministra Direito do Trabalho, Processo do Trabalho e Prática Trabalhista, levando para as salas da graduação o rigor de quem faz citação em campo, não em simulação. "O desafio maior foi transformar a vida dos alunos, incentivar e partilhar experiências, valores e sonhos", disse, ao explicar o que o último período lhe ensinou.

O filho Raphinha, sete anos, foi o ponto de virada pessoal. A paternidade deu maturidade. A docência, propósito duplo. Quem lê o crachá vê o cargo. Quem o encontra na sala de aula entende a missão.