Marcelle Pereira ocupa um dos terrenos mais exigentes da advocacia pernambucana com a firmeza de quem aprendeu a plantar em solo alheio. Maranhense de formação, recifense de escolha, ela chegou a Pernambuco há dezoito anos com uma filha pequena, um casamento ainda jovem e a certeza de que recomeçar não é sinônimo de regredir. O cargo na Coca-Cola ficou para trás. O que ficou na frente foi mais robusto: a decisão, tomada sem rede de amparo, de reinventar-se em território desconhecido.

A passagem pela consultoria organizacional para entidades sindicais não foi apenas uma reinserção profissional; foi o encontro com uma vocação que a formação em Administração de Empresas, pela Universidade Estadual do Maranhão, e a pós-graduação pela Fundação Getúlio Vargas não conseguiam inteiramente nomear. Ao entrar nos sindicatos, a consultora encontrou algo que balanços e planilhas não registram: a pulsação do coletivo, o peso de quem espera o salário para colocar comida na mesa, a urgência de quem sabe que dignidade não aguarda despacho. O Direito surgiu como consequência inevitável. Ela se graduou nas Faculdades Integradas Barros Melo, passou no Exame da Ordem na primeira tentativa e fundou o Pereira & Couto Advogados Associados dentro do prazo que ela mesma havia estipulado.

O escritório, com equipe majoritariamente feminina, atua no Direito Coletivo e Sindical, território historicamente dominado por vozes masculinas. Marcelle escolheu exatamente esse território. Em 2020, esteve na linha de frente da greve de trabalhadores terceirizados da saúde estadual. Em 2023, sustentou a resistência de merendeiras e auxiliares de serviços gerais que passaram meses sem receber. Cada causa, uma trincheira. Cada vitória, um direito devolvido. Cada processo, uma família com nome.

Conselheira Estadual da OAB Pernambuco e Secretária-Geral da Comissão de Direito Sindical, ao lado de Rinaldo Junior, mãe de Ana Sofia e Mariana, aos 44 anos de idade ela ocupa os espaços que uma vez pareciam fechados, não por acaso, mas por insistência metódica e sororidade real.

Quem defende o coletivo com precisão de gestora e calor de militante sabe que o Direito, no fundo, não é sobre normas. É sobre gente.