Crescer dentro de um laboratório médico não era figura de linguagem: era a rotina de Karla Cidrim. Filha de Gilson Cidrim, fundador do laboratório que carregava o sobrenome da família e chegaria a operar mais de setenta unidades em Pernambuco, ela estagiava nas bancadas desde os 17 anos. Quando chegou à medicina e pagou a cadeira de patologia, não foi por acaso. Foi por reconhecimento. "Fui nascida e criada dentro do laboratório", ela diz. Não como lamento: como ponto de partida.
A anatomia patológica a capturou porque é uma especialidade de peso silencioso. O patologista não examina o paciente: recebe o material, analisa o fragmento de tecido e entrega um laudo que vai orientar toda a conduta clínica daquele momento em diante. Cada linha escrita tem consequência direta em como um médico vai agir, o que um paciente vai viver. Karla entendeu esse peso cedo e quis carregá-lo. Seu pai a trouxe para dentro do setor diagnóstico do laboratório da família, e ela fundou o Núcleo de Patologia como empresa própria, prestando serviço exclusivo ao Gilson Cidrim, então o maior demandante de anatomia patológica de todo o estado.
A virada não surgiu de dentro. Um grupo nacional de saúde adquiriu o Laboratório Gilson Cidrim. Seu pai então se aposentou. O Núcleo de Patologia continuou operando, mas em uma escala reduzida: as médicas laudavam, o processamento de material foi suspenso. Foi nesse intervalo que a pergunta tomou forma. A comunidade médica pernambucana começou a sinalizar o que sentia: quando havia dúvida sobre um laudo difícil, o médico tinha que ligar para São Paulo, para o Rio de Janeiro. O contato com quem assinou o diagnóstico simplesmente não existia. Karla e Daniel Marsol, administrador com pós-graduação em gestão de saúde e seu marido e sócio, tomaram a decisão em 2023: reabrir tudo, do zero. Processamento, logística, equipe. A empresa que servia um laboratório familiar passou a servir toda a comunidade médica do estado. O nome ganhou as iniciais da família: Núcleo de Patologia GK Cidrim.
De 2023 para cá, a empresa triplicou de tamanho a cada ano. Em 2023, estruturaram o laboratório sede em Recife. Em 2024, abriram o hub de Caruaru para alcançar o sertão pernambucano. Em 2025, o crescimento exigiu mais espaço e a equipe ocupou outro andar. São mais de 200 parcerias fechadas e presença em mais de 20 cidades. A equipe médica conta com cinco patologistas, incluindo uma que foi mentora de Karla na faculdade de medicina. Daniel Marsol trouxe a experiência de gestão que a estrutura exigia; Karla, as décadas de prática clínica e o nome que a classe médica pernambucana já conhecia.
O diferencial que o GK Cidrim construiu com mais cuidado é o que mais escasseia nos laboratórios de apoio vindos do eixo Rio-São Paulo: presença. Quando tudo vai bem, qualquer laboratório funciona. A diferença aparece quando um médico no Sertão, em uma cidade no interior, tem dúvida sobre um laudo difícil e precisa conversar com o especialista que o assinou. No GK Cidrim, quase cem por cento dos parceiros foram visitados pessoalmente pela equipe. "A gente vai lá, fala com o diretor da clínica, com o médico responsável, para ele saber com quem está falando e com quem pode contar", explica Daniel Marsol. Essa proximidade não é protocolo: é a razão de existir da empresa.
Karla resume em uma imagem o que motiva cada laudo entregue: "A qualidade do laudo nasce da combinação entre experiência médica, estudo contínuo, troca com especialistas e atenção aos detalhes de cada caso." O próximo passo já está desenhado: a patologia digital, que permite escanear lâminas e gerar imagens analisáveis por especialistas de qualquer parte do mundo, muda a relação entre laboratório e mercado. O GK Cidrim acompanha essa transição com investimento em tecnologia, com o propósito de levar ao interior de Pernambuco o padrão diagnóstico que hoje chega principalmente nos grandes centros. Karla Cidrim construiu um laboratório que carrega o sobrenome da família com o peso que ele merece: compromisso com cada laudo, com cada vida que aguarda uma resposta do outro lado.

