São seis da manhã em Arcoverde, e o dia de Ivo Barboza já começou. Antes da escola, vende verdura na feira; ao meio-dia, vende na estação de trem a cocada que a mãe, dona Amélia, prepara em casa; à tarde, na fábrica Palmeiron, junta e revende latas vazias. Só à noite o menino abre os livros. Um dia inteiro de trabalho, uma noite inteira de estudo: essa é a rotina que forma, ainda na infância, o homem que este espaço celebra.

É para guardar histórias como essa que existe o Tributo by Manu, o espaço da Paradigma Jurídico dedicado a homenagear trajetórias que sustentam o Direito em Pernambuco. Nesta edição, o tributo é a ele: o contador que virou advogado, o menino do Agreste que se tornou referência em Direito Tributário no Brasil.

Buíque guardava pouco para os filhos de um pequeno agricultor, e a família se mudou para Arcoverde atrás da escola que faltava no distrito de Vila do Carneiro. Ivo tinha oito anos e era o primeiro homem entre cinco irmãos: cresceu sabendo que ali estudo era sobrevivência, não privilégio. Aos doze, o emprego na Palmeiron virou posto fixo, e foi entre caixas e balancetes que descobriu no número uma linguagem que o levaria ao Direito, anos depois.

O Grupo JCPM comprou a fábrica, e veio o convite para o Recife, onde virou contador geral do grupo Bompreço. O sonho de advogado, observado ainda menino pela brecha de uma porta de tribunal, esperou, mas não desistiu: o curso era no horário do trabalho, e foi ao patrão, João Carlos Paes Mendonça, que levou o impasse. A resposta veio sem rodeios: “Não é o seu sonho? Vá fazer seu curso.” Formou-se advogado sem largar a cadeira de contador.

Onze anos no Bompreço, outro ciclo de onze na Secretaria da Fazenda, presidência do Sindicato do Grupo Ocupacional Administração Tributária do Estado de Pernambuco (Sindifisco-PE), coluna no Jornal do Commercio: cada função abria caminho para a seguinte, até virar autoridade em Direito Tributário. Em 1993, num apartamento da Imbiribeira, abriu escritório próprio. Do imóvel modesto ao casarão tombado de três andares na Rua do Brum, no Bairro do Recife, o percurso não teve atalho, teve estudo.

Hoje, o escritório Ivo Barboza conta, como sócios, além do fundador, o irmão Gláucio Barbosa, os filhos Fernando Lima, Fábio Lima e Ivo Lima, a sobrinha Gleicy Lima, além de Alexandre Albuquerque, Paulo Cesar França, Larissa Araújo e Jairo Brito. Mais de 50 profissionais integram a equipe do escritório.

Toda sexta-feira, às quatro da tarde, o escritório para: estuda-se. O hábito nasceu décadas antes, na infância que abre este texto, e atravessou a paternidade: em casa, a mesada dos filhos era recompensa por redações e interpretações de texto, muitas vezes da coluna que o pai assinava no Jornal do Commercio. O menino que estudava à noite depois de um dia de feira, estação e fábrica tornou-se o pai que converteu aprender em moeda doméstica. Fecha-se aqui o círculo: educação tirou o fundador do escritório Ivo Barboza & Advogados Associados de Buíque, e educação é o que ele insiste em repassar a cada filho, a cada sócio, a cada aprendiz que atravessa a porta do casarão na Rua do Brum.