Ivana Malta pacifica conflitos com a autoridade de quem conheceu a ruptura por dentro. Advogada e mediadora, chegou ao Direito por um caminho que recusou o atalho: uma década nos céus da TAM precedeu os bancos da faculdade, e a faculdade exigiu um combate interno que poucos viram. O TDAH, diagnosticado apenas em 2024, revelou que cada página vencida no estudo era uma batalha química travada em silêncio. A aprovação na OAB, obtida antes desse esclarecimento, ganhou outra dimensão: não era apenas um exame; era a prova de que a vontade supera a biologia quando recusa a rendição.

O percurso foi moldado também pela fé herdada de sua avó Amélia, Dona Bela, matriarca sertaneja que orava com o terço nas mãos e ensinava que a força e a doçura cabem na mesma pessoa. Dessa herança, a advogada extraiu o método: ouvir antes de falar, acolher antes de intervir, silenciar o ego antes de propor a solução. Foi com essa postura que atuou no maior plano de recuperação judicial do país, o caso da OI, administrando em quatro estados do Nordeste não apenas prazos, mas expectativas, angústias e futuros inteiros de credores.

O episódio que revela o fio condutor de sua atuação, porém, não está nos documentos corporativos. Está em uma sala onde um pai e uma filha, separados por seis anos de silêncio e mágoas acumuladas em torno de pensão e rejeição, encontraram o caminho de volta um ao outro. O pai entrou para reduzir o valor; saiu aceitando um aumento, com o número da filha gravado no celular e o afeto restaurado no peito. O que começou como litígio encerrou como abraço.

Hoje, ao lado de Arthur Maynard e com o olhar no horizonte que seu filho José Mário desbrava, a mediadora atua na equipe de Brenda Belo com a serena convicção de quem sabe que a justiça mais perene não é a que se impõe por sentença, mas a que nasce quando duas pessoas decidem, juntas, que o diálogo vale mais do que a vitória.