Isabela Lessa partiu de uma premissa que poucos no Direito aceitam com facilidade: o advogado que recusa a gestão do próprio escritório torna-se refém do próprio talento.

A constatação não veio de um manual de administração, mas do atrito com a realidade. Graduada pela Universidade Católica de Pernambuco em 2005, aprofundou o saber no Mestrado em Direito Processual e na especialização pela FGV-Rio, depois desembarcou na mediação judicial e na coordenação de curso na Faculdade Nova Roma com a mesma disposição de quem sabe que o conhecimento aplicado vale mais do que o acumulado. Ao fundar o Bahia, Lins e Lessa Sociedade de Advogadas, reuniu três sócias sob uma lógica incomum: cuidar da equipe como condição de sustentabilidade do negócio. Um escritório composto integralmente por mulheres não é só uma escolha de composição; é uma tese sobre como o Direito pode ser exercido quando a sensibilidade estratégica recebe o mesmo peso que a eficiência técnica.

Compliance, governança corporativa e treinamentos antiassédio para empresas são as especialidades da banca. Em paralelo, assumiu o comercial, o financeiro e o operacional do escritório com a mesma seriedade com que prepara uma peça processual. Gerir bem para servir melhor, servir melhor para gerir com autoridade.

Na Ordem dos Advogados do Brasil subseccional Pernambuco, a contribuição tomou forma institucional. Como primeira mulher a ocupar a vice-diretoria-geral da Escola Superior de Advocacia e idealizadora do programa de residência jurídica, conectou o jovem advogado ao mercado com uma metodologia que aprendia fazendo. A candidatura ao Quinto Constitucional do Tribunal de Justiça de Pernambuco somou 4.253 votos sem o suporte de grandes aparatos políticos: o número é a cifra de uma confiança construída caso a caso, reunião a reunião, treinamento a treinamento.

Bernardo, Tobias e Theo são os pilares que sustentam a velocidade com que ela se move. A família, em sua visão, não é pausa da carreira; é o que impede a carreira de perder o norte.