Luiz Henrique Vasconcelos Delgado transforma atraso em vantagem competitiva. Aos 52 anos, o advogado recifense, filho do engenheiro Carmelo Delgado e da psicóloga Rosemary Delgado, uniu duas vidas profissionais que raramente se cruzam: vinte e cinco anos de tecnologia da informação e uma OAB conquistada de primeira, na única tentativa, depois de seis anos de faculdade cursados à noite, entre o expediente e o sono adiado.
Formado pela UNICAP, pós graduado em Direito Constitucional, com curso de atualização em Finanças Descentralizadas pela Fundação Getúlio Vargas, ao estudar a tecnologia blockchain ele encontrou o ponto exato onde a sua bagagem técnica encontra a sua vocação jurídica.
Antes de advogar trabalhou por quinze anos no departamento de informática do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, na área de suporte e treinamento de servidores e magistrados do TRF. Autodidata, construiu uma trajetória no setor de Tecnologia da Informação, mesmo sem possuir nenhum curso específico em TI.
Ainda antes de ingressar no TRF, aos 35 anos, aprendeu uma lição que doeu; mas também ensinou, após a finalização de um projeto de TI, foi desligado da Facilit Tecnologia. Foi o momento em que compreendeu a necessidade de mudar a sua trajetória de vida e percebeu que conhecimento próprio não se dispensa. Dali nasceu a decisão de voltar, tarde, ao sonho adiado do Direito.
Hoje advoga em processos de execução cível, e já no início da carreira obteve resultados positivos garantindo indenizações que chegaram a mais de 1,5 milhão de reais. Atua também na defesa de pessoas físicas lesadas por golpes em investimentos com criptomoedas.
Escreve a cada 15 dias uma newsletter no Linkedin sobre criptoativos que reúne um grupo seleto de operadores técnicos e especialistas do mercado jurídico nacional. "Você pode ter todo o conhecimento do mundo, mas o mundo precisa saber que você tem aquele conhecimento", resume, explicando por que dedica quinzenas inteiras a um tema que a maioria ainda confunde com golpe.
Recusa-se a automatizar o atendimento: responde por áudio, um a um, porque tem clientes idosos que preferem voz a um menu digitado. Recusa-se, também, a terceirizar a própria escrita para a inteligência artificial, convicção que registra ao fim de cada texto que assina.
Está construindo agora um aplicativo para orientar pessoas físicas e empresas sobre riscos e regulação de criptoativos, projeto que carrega a mesma obsessão de sempre: traduzir o complexo em linguagem simples, sem perder profundidade.
Henrique aprendeu, entre a fábrica de decisões e o balcão dos tribunais, que explicar bem vale tanto quanto saber muito, e que toda especialização que dura é aquela que nasce da vontade de ser compreendido.

