Fausto Claudino Pinto Filho representa dois tempos distintos: no passado, o corredor de quartos atrás do cemitério de Casa Amarela onde cresceu, e no presente, a presidência nacional do G10 Favelas e a cadeira no Conselhão do Presidente Lula. A distância entre esses dois pontos não é geográfica. É a medida exata do que acontece quando alguém decide que o bairro não é o limite, é o ponto de partida.
Servidor público concursado da Prefeitura do Recife, Agente de Combate às Endemias, Fausto chegou ao serviço público depois de sete anos no Exército e de reprovar na barra fixa da PM em 2009. A estabilidade que conquistou nunca virou conforto: virou base de operações. Pelo professor Erivelte, chegou ao projeto Garimpando Diamantes, onde se descobriu liderança comunitária no Alto Santa Isabel, apresentou a TV Garimpando e fundou o sindicato dos Agentes de Combate às Endemias. No G10 Favelas, encontrou a metodologia de enxergar potência onde o sistema enxerga carência.
Na pandemia de 2020, enquanto o país aguardava orientações, Casa Amarela agiu. Fausto desinfetou as ruas da comunidade. A resposta atraiu o G10 Favelas, movimento fundado por Gilson Rodrigues com a premissa de que as dez maiores favelas do Brasil movimentam 7,9 bilhões de reais por ano. Em 23 de junho de 2025, tomou posse como Presidente Nacional do G10 no Hotel Rosewood. Menos de um mês depois, foi convidado para compor o Conselhão do Presidente da República.
À frente do Instituto Casa Amarela Social, coordena o Costurando Sonhos, o Cidadania Tecnológica, o Favelendo Empreendendo e o Doce Potência, negócio de confeitaria de Rachel Rodrigues Vieira, sua companheira desde a adolescência. "A palavra convence, mas um exemplo arrasta", resume. Fausto Filho é, ele mesmo, o exemplo que arrasta.

