Maria de Fátima Pereira de Moura Carvalho descobriu o Direito pelo caminho mais improvável: queria ser delegada e acabou se tornando advogada de sertanejos.

Filha de Francisco de Assis Moura e de Maria Pereira de Moura, formada em Jornalismo e ex-assessora de imprensa em Paudalho, chegou ao varejo antes de chegar às varas: foram mais de dez anos à frente de 15 lojas nos shoppings de Recife e no Rio Grande do Norte. Quando se matriculou no Direito, o plano era a carreira policial. O que encontrou dentro de si foi outro tipo de combate.

A virada chegou sem convite. Sua sócia no escritório Moura Assunção Advocacia foi aprovada em concurso para o TJ da Bahia e entregou a Fátima toda a carteira previdenciária. A área que ela não escolhera tornou-se, com o tempo, o centro de tudo. "Quando eu vi que eu estava mudando a vida dessas pessoas, aí para mim foi a virada de chave", recorda. Aquele sertanejo humilde, sem escolaridade, sem conhecimento de seus próprios direitos, chegava ao escritório e saía com um benefício, com dignidade restaurada. Foi o suficiente para mudar a direção de uma carreira inteira.

Hoje em Petrolina, ao lado do marido Alexandre Carvalho, com escritórios em Petrolina e Recife, a advogada atende clientes em sete estados do Nordeste: Pernambuco, Bahia, Piauí, Ceará, Paraíba, Alagoas e Sergipe. O alcance cresceu; a bússola não mudou. "Eu quero que aquela pessoa se sinta valorizada, se sinta respeitada", diz, com a convicção de quem aprendeu na infância, em família católica de raízes limoeirenses, que honestidade e humildade são os únicos pilares que não racham.

Mãe de quatro filhos, Pietro e Pablo Araruna, do casamento com Francisco Araruna, economista que a incentivou nos estudos, e Petros e Miguel Moura, filhos junto com seu marido Alexandre Carvalho, criadora de cavalos quarto de milha em Paudalho, Fátima acumula papéis com a leveza que ela mesma não consegue explicar a não ser pela fé. "A minha fé é surreal", afirma. O nome já carrega a explicação: Maria de Fátima nasceu de uma promessa que a mãe fez à Nossa Senhora de Fátima, a última tentativa depois de cinco filhos homens, o sonho de uma filha finalmente alcançado. A dívida foi paga com o nome e nunca mais encerrada. Na propriedade em Paudalho, uma capela erguida em homenagem à santa recebe missa todo ano. O espaço é dela; a devoção veio antes dela. Devolve dignidade a quem a vida negou. Devolve presença a quem a burocracia invisibilizou. Devolve, em cada processo vencido, a certeza de que o direito existe mesmo quando o mundo prefere esquecer.