Eliane Costa Pacheco Barbosa carrega uma cena que nenhuma cadeira de processo ensina. Quando fez sua primeira sustentação oral no TJPE, o presidente do colegiado percebeu o que os autos não diziam: a advogada era mãe dos apelados. "Se eu não me engano, a doutora é mãe dos apelados." Ela confirmou. "Sim, Excelência, sou." Recebeu os 15 minutos de praxe, deixou a mãe Eliane de lado e passou a ser só a advogada Eliane. Mencionou os filhos não como filhos, mas como clientes, como apelados. Quando terminou, saiu vencedora e olhou para a sala: o plenário todinho estava chorando.
A cena é anterior à especialização que define o escritório hoje. Filha de Hiran e Aldinez, economista pela UFRPE, advogada pela FIR, ela chegou ao Direito da Saúde Suplementar porque seus dois filhos, Vitor e Gustavo, foram diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista em 2015 e a operadora negou a cobertura do tratamento prescrito. Litigou, ganhou, e entendeu que aquela seria a área da sua vida profissional. O que começou como causa pessoal tornou-se método: anos no Direito do Trabalho haviam ensinado a ler o processo com olhar quantitativo, de verba e índice até a cláusula que esconde a abusividade. Diagnosticada com TEA nível 1 em 2005, época em que o autismo quase não era falado, hoje, Eliane soma à tese técnica a memória de quem sabe o que é esperar por tratamento que não chegou na hora certa.
"Eu sou a prova viva de que o tratamento é adequado." Vitor, hoje com 14 anos, e Gustavo com 13, estudam em escola regular, falam, são excelentes alunos. São 11 anos de luta por cobertura, por inclusão, por tratamento que a operadora tentou negar.
Sua trajetória nos ensina o que não aparece no currículo: a coerência entre o que se viveu e o que se escolheu defender.

