Clóvis Eduardo Gomes de Morais atua onde a técnica encontra a dor, e a dor se converte em razão para lutar. Advogado criminalista com dezoito anos de ofício, especializado no Tribunal do Júri, Eduardo Morais acumulou mais de cem sessões plenárias em Pernambuco, sempre no lugar que poucos disputam: a defesa de quem já perdeu, publicamente, quase tudo.

Criado em Recife por Edmilson Morais, servidor público estadual, e Margareth Morais, guerreira do lar, o advogado carrega na prática o que aprendeu em casa: que amor e educação não excluem a dureza da vida, e que o lado correto tem peso próprio. Formado em 2008 pela Universidade Salgado de Oliveira, acumulou três pós-graduações em Direito Penal, Tribunal do Júri e Lei de Drogas antes de consolidar o escritório Morais e Barbosa Advogados Associados como referência estadual na defesa das forças de segurança pública.

"Eu ouço, entendo a dor e traduzo essa dor em luta", define. O diferencial que ele identifica em si mesmo vai além da competência técnica. É essa escuta que o convoca aos processos de maior peso do estado: uma sequência de casos onde o clamor midiático antecede qualquer análise de mérito.

"A gente viu como o livro do Maquiavel está vivo nos dias de hoje", relembra Eduardo. Em 2016, ele viveu na pele o que defende: ao lado do saudoso Albertson Carlos, presidente da associação da Polícia Militar, e do colega François, foi conduzido a uma delegacia durante uma paralisação da tropa. A cena estampou capas de jornal. A experiência não o intimidou. Afiou sua convicção de que a dignidade humana precisa sobreviver ao espetáculo das operações midiáticas, que escandalizavam antes de qualquer prova.

Quando a absolvição chega, a fotografia da prisão permanece no imaginário coletivo. Ouvir com rigor, traduzir com precisão: é isso que separa o advogado do agente do espetáculo, e a justiça do ruído.