Daniel Veloso de Souza chegou ao Direito pela porta que muitos ignoram: a porta dos fundos, aquela por onde entram os que não tiveram padrinho, nome de família ou endereço conveniente. Pernambucano de adoção desde o primeiro ano de vida, ele cruzou Recife de ônibus durante anos, da Ilha do Leite à Rua do Imperador, antes que o sol erguesse ou depois que a chuva encharcasse a roupa no início do expediente. Essa rotina não o amargou; lapidou. O estágio e os primeiros anos de advocacia, no escritório de advocacia Carvalho & Lemos, sob a mentoria de Luciano Carvalho e Alexandre Lemos, colocou-o no rumo certo, ensinando todos os fundamentos necessários para o bom exercício profissional.
Daniel aprendeu a lidar com situações de crise e também com a busca do êxito mercantil. Foi nesse ambiente de urgência real, “respondendo processos executivos, respondendo ações de cobrança, negociando passivos”, que Daniel compreendeu o que a advocacia pode ser quando serve à sobrevivência, não apenas ao combate. Em 2002, fundou a própria banca. Em 2005, a Lei de Recuperações Judiciais e Falências chegou como a ferramenta que seus anos exigiam. A primeira Recuperação Judicial sob seu comando foi a arte de conduzir uma empresa pelo vale da ruína e devolvê-la, ainda de pé, ao outro lado.
A mesma competência depois se expandiu para planejamento societário, sucessório e para uma disponibilidade radical que não reconhece fim de semana quando o cliente está em colapso. O modelo é de “alfaiataria”: cada caso medido, cortado e costurado sob demanda, a quilômetros de qualquer escala industrial. Docente da UFPB via concurso público e mestre pela UFPE, o jurista não se afastou da base.
Seu pai, Durvanil, ensinou com a própria vida que herança se consome, mas amor e felicidade se multiplicam. E foi um professor do primeiro ano de faculdade que lhe deu a bússola definitiva: o grande anseio da humanidade não é a justiça abstrata, é a felicidade. Daniel Veloso advoga com o peso de quem sabe que o Direito, quando exercido a partir da própria cicatriz, deixa de ser código para se tornar cuidado.

