Cristina Farias Pires Ferreira guarda no escritório Caribé Advogados uma genealogia de fidelidade: entrou como estagiária ainda na faculdade, tornou-se sócia em 2006 e, mesmo cortejada a abrir uma banca com o próprio sobrenome, escolheu ficar. “Vamos ser Caribé pro resto da vida”, resume, orgulhosa de que o CPF não carregue o nome do escritório, mas o CNPJ sim. Nascida em Paulo Afonso, na Bahia, veio para o Recife na esteira do trabalho do pai e amadureceu depressa: perdeu-o aos 19 anos e assumiu, ainda jovem, os cuidados da mãe adoecida. Recusou desde cedo a generalidade: pós-graduação em Direito Empresarial, MBA em Direito da Economia e da Empresa e duas especializações em Direito Imobiliário deram corpo técnico a um território que escolheu como exclusivo.

Foi esse pé no chão sertanejo que a sustentou ao entrar num mercado imobiliário quase inteiramente masculino, onde ouviu ser chamada de “a menina” em mesas de negociação lotadas de homens. Coube ao fundador do escritório, Paulo Caribé, blindá-la diante dos clientes: “quem entende de Imobiliário é ela”. Mais de vinte anos depois, ranqueada pelo Chambers e presença constante em fóruns como a Comissão de Direito Imobiliário da OAB/PE e o Instituto Brasileiro de Direito Imobiliário, a advogada trata cada empreendimento que assessora como um filho: acompanha a obra, discute engenharia com o cliente e vibra quando um prédio seu leva o Troféu Ademi, “que para mim é a Copa do Mundo”.

No último ano, teve que reaprender a se mostrar: trocou o silêncio auto imposto por presença nas redes, guiada pelo irmão que atua com marketing digital em São Paulo, e passou a ser reconhecida como “Cristina advogada”, não apenas como mãe de Gabriel e Carolina. A virada não alterou o essencial. Em negociações onde encontra o mesmo colega ora de um lado da mesa, ora do outro, a sócia mantiene a mesma régua: nunca escondeu de um adversário um problema que pudesse prejudicá-lo. “Eu perco o negócio, mas não vou negociar meus valores”, afirma.

Hoje, Cristina advoga como quem aprendeu cedo que sustentar um nome emprestado, com ética e sem pressa, pode valer mais do que erguer um próprio.