Cláudio Abrahamian Asfora chegou à vida empresarial pela mão do pai, aos 14 anos, entre o barulho das indústrias metalúrgicas e o peso sólido das chapas de aço. Não havia manual de empreendedorismo na mesa: havia trabalho, respeito pelos mais velhos e a certeza de que se aprende fazendo. Sua família carregava origens distantes, raízes palestinas e armênias replantadas no Recife, e desses galhos transplantados ele herdou uma só coisa: a convicção de que se começa do que se tem.
Essa escola inicial foi o rascunho de uma carreira longa e plural. Ao longo das décadas, atuou com combustível, avicultura, aquicultura e serviço público, e ainda foi buscar o diploma de Direito aos 50 anos, quando muitos já haviam parado de estudar. Não satisfeito, sete anos depois, ocupando a Secretaria de Regionalização, acumulando com a Chefia de Gabinete do prefeito de Jaboatão dos Guararapes, colocou mais uma formação no seu currículo, fazendo uma pós graduação em Gestão Pública. A vida, para o empresário recifense, funciona como uma bateria: "você vai acumulando história, acumulando experiência, acumulando vivência, e isso é muito interessante."
Na distribuidora que idealizou, essa filosofia de gestão ganhou nome preciso: o bom gestor não precisa dominar cada área do negócio, precisa saber extrair o melhor de cada colaborador. Por isso bancou a faculdade dos funcionários sem desconto em folha, política institucional enquanto esteve à frente da empresa. Conhecimento compartilhado, ele entendia, não diminui quem compartilha: multiplica.
As ideias chegam sem agenda, na madrugada, no banho, numa quebra de sono. Quando chegam, chegam do céu, e ele as anota antes que escapem, antes que a rotina as apague. Empreender, para Cláudio, é exatamente isso: habitar a incerteza com coragem para assumir responsabilidades que outros evitam e, de manhã e à noite, pedir a Deus discernimento. "Acreditar é a principal virtude de quem corre atrás de fazer alguma coisa fora do feijão com arroz", afirma.
Sucesso, para ele, não se mede por cargos nem por estatísticas: mede-se pela felicidade de ver aquilo que estava passeando na mente tornar-se realidade. Ele ainda carrega essa convicção com a mesma intensidade de quando anotava ideias da madrugada. Hoje, aos 62 anos e ocupando novamente a Secretaria de Regionalização de Jaboatão dos Guararapes, o ex-Secretário Executivo de Turismo de Pernambuco sai de casa todo dia para aprender um pouquinho, certo de que a humildade de quem aprendeu tudo desde o chão é o único capital que o tempo não consegue desvalorizar.

