Carlos Eduardo Ramos Barros construiu carreira sobre um paradoxo que poucos sustentam com igual rigor: defende réus no banco dos réus e vítimas no banco oposto, ora arguindo perante o Tribunal do Júri em crimes dolosos contra a vida, ora requerendo, como assistente de acusação, a instauração de inquéritos em favor de quem sofreu o crime. Defesa e amparo caminham juntos no seu escritório, dois ângulos de um mesmo compromisso sustentado há vinte e cinco anos de advocacia criminal.

Fundou em 2013 o escritório que hoje leva seu nome, ampliando o repertório clássico, crimes contra a pessoa, contra o patrimônio, contra a honra, para o território mais técnico do Direito Penal Econômico, dos crimes societários e dos delitos contra a administração pública. Uma especialização em Coimbra, sobre esse mesmo direito penal econômico, deu à prática o lastro acadêmico que sustenta a atuação diária, e o bacharelado pela Universidade Católica de Pernambuco segue como a raiz de tudo o que veio depois.

Há dezenove anos leciona Direito Penal e Processual Penal, primeiro como professor honorário da Escola Superior de Advocacia da OAB/PE, hoje como seu diretor geral. Multiplicou a sala de aula pela Faculdade Boa Viagem, pela FIR, pela AESO, pela pós-graduação da FG, sempre repetindo a disciplina de origem em versões cada vez mais especializadas: ensinar processo penal para depois ensinar, com o mesmo rigor, penal econômico.

Na Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Pernambuco, ocupou a tesouraria, presidiu a Comissão de Defesa, Assistência e Prerrogativas dos Advogados, foi conselheiro seccional e, antes disso, secretário geral adjunto da Caixa de Assistência dos Advogados. No Conselho Federal, assessorou a Comissão Especial de Garantia do Direito de Defesa. Prerrogativa e defesa, defesa e prerrogativa: o mesmo par de palavras atravessa cada cargo que ocupou.

Há dez anos preside a União dos Advogados Criminalistas, entidade que resume o que Carlos Barros pratica desde 2001: garantias constitucionais defendidas não como teoria de manual, mas como ofício diário, exercido no júri, na sala de aula e na presidência de uma entidade que carrega no próprio nome a profissão que ele exerce.