Bruna Galvão Albuquerque da Silveira sabe que os problemas mais custosos são os que nunca chegam ao tribunal.
Criada em Belo Jardim, filha de Doutor Maneco e Cidinha, num lar de seis filhos onde o engajamento social era o sotaque da família, ela descobriu o Direito ainda na quinta série, muito antes de saber o nome exato da profissão que queria. Formou-se em 2011 pela faculdade de Caruaru com o concurso público na mira. A advocacia a pegou pelo desvio, e não largou mais.
Advogada desde 2015, iniciou no campo criminal com a escuta de quem observa antes de opinar. A pandemia funcionou como divisor: as empresas precisavam de assessoramento jurídico para um mundo que as leis ainda não tinham aprendido a nomear, e ela estava disponível para essa tradução. Migrou para o compliance com a convicção de quem encontra, afinal, a sua língua profissional. “O compliance foi com quem eu me casei, na verdade, na vida profissional”, ela diz sem hesitação.
À frente do escritório Bruna Galvão Advocacia e Assessoria Jurídica, atende clientes em todo o estado. Acumula o segundo mandato na presidência da OAB de Belo Jardim, cinco anos de gestão em que pacificar, mediar e zelar pela ética da classe exige mais do que técnica: exige silêncio preciso, empatia duradoura, presença que não se abala. “Peço muita sabedoria, paciência e empatia”, conta sobre os momentos em que a pressão sobe.
O período recente trouxe o maior redimensionamento pessoal: Diana Galvão nasceu quando a mãe ainda conduzia campanha para reeleição na OAB. Bruna candidatou, ganhou, amamentou, atendeu. A maternidade, revelou, não paralisa quem tem rede de apoio e propósito firme: “A maternidade te estimula quando você tem uma rede de apoio como eu tenho a minha mãe”. Ao lado do marido Danyllo Márcio, engenheiro que ergueu a carreira sem herança nem facilidade, a advogada encontrou um espelho de determinação cotidiana.
Quem serve bem, antecipa o que vai errar, silencia quando os outros gritam e ainda encontra tempo para presidir uma entidade de classe enquanto amamenta, sabe uma coisa que nenhum código civil ensina: que a lei mais poderosa é a que se escreve antes do conflito começar.

