Alberto de Freitas Brandão Bittencourt atravessou os céus antes de transformar o chão. Paraquedista militar e mestre de salto, calculista de estruturas, professor de resistência dos materiais, fundador de associações literárias: são territórios tão distintos que, em outro homem, pareceriam vidas separadas. Nele, formam uma única linha de tensão, coerente e acumulada ao longo de décadas de escolhas deliberadas.
Carioca por nascimento, pernambucano por escolha, o engenheiro construiu em Recife mais do que projetos de concreto e aço. Ao lado de Helena Lezan Bittencourt, arquiteta e companheira de quatro filhos e oito netos, fincou as raízes que a disciplina militar, sozinha, não fornece: a textura de um lar, a permanência de uma família que escolhe ficar.
Sua formação no Instituto Militar de Engenharia, depois aprofundada pela especialização em Segurança do Trabalho na UFPE, rendeu décadas de obra calculada, construída e incorporada. A transição para a docência revelou o mesmo rigor em escala diferente: por seis anos, lecionou matemática no Colégio Militar do Recife e resistência dos materiais na UNICAP, dedicando-se a armar as estruturas intelectuais de gerações que ainda não sabiam o que precisavam sustentar.
No Rotary Club do Recife, Boa Viagem, a atuação ganhou outra escala. Associado desde 1987, presidiu o clube por dois mandatos e governou o Distrito 4500, acumulando as distinções de Major Donor e Construtor da Paz. Construtor da paz: o título nomeia, com precisão quase involuntária, toda uma filosofia que atravessa engenharia, docência e serviço comunitário sem pedir licença para cada travessia.
A literatura chegou como extensão natural desse impulso de transmitir. Fundou a ABROL em âmbito nacional e em Pernambuco, ocupa cadeira na Academia Brasileira de Ciências Econômicas, Políticas e Sociais e mantém um blog que ultrapassou 355 mil acessos. Quatro livros publicados completam o inventário de quem nunca separou o saber do serviço, a técnica da generosidade.
Alberto Bittencourt demonstra que a estrutura mais resistente não é feita de cálculo: é feita de propósito renovado a cada geração que passa pelas suas mãos.

